Carrego sempre comigo um machado de tira gosto. Sim, minha pequena Mimi, papai aqui não queria ter que te ver chorar nesses olhos que carregam o paraíso, mas tem fascinação mundana por armas brancas.. esses objetos corto-contundentes que provocam dor/prazer simultaneamente. Daddy's got a gun, my little princess. O tópico seria dor se ela de fato existisse, entende, mas é que ela cái sempre tão bem entre socorro-me-ajudes e por-favores que o desespero se tornou o maior amante de um escritor maldito. Sim, não importava a estação, entende, tava frio às pampas e eu tava lá, rolando entre Bukowski's e Caios F. na minha mediocridade líquida de arrepios e agonia, pensando daonde infernos os caras tiravam tanta força de algo tão inflamável? E procurei por décadas esse "algo", esse adendo que me faria escrever a pior dor do mundo em três linhas, que me faria escrever só Estupro, Doença, Desespero e Agonia e todo mundo ia fazer milhões de mesuras pra mim, que eu seria o Rei da Dor. A bagunça do século, tinha aquele que era o Pepino o Breve, Alexandre o Grande eu não passaria de Luiz Ricardo o Doído.
A dor passou no momento que abdiquei o trono em busca de redenção. Sabe que essa alma tava podre demais, tipos a diabete total, eu tava transbordando lixo, daí me encontrei nele: nele sim. E é bizarro que sempre faço questão de confirmar, meio que numa busca de auto afirmação. Nele: ele sim.
Ele vem, e não vem tarde. Vem e não vem tarde. Vem. E não vem tarde.
Minh'alma procurava o pior dos remédios: eu era o pânico em pessoa e daí, quando vieram os meninos, Lumina e Nicolau, foi como se toda a droga que tinha sido injetada em mim por todos os lugares injetáveis, incluindo poros, esvaísse e deixasse o registro mais adorável do mundo. A vida agora ganhara sentido. Uma hora dessas, até, resolvi despir-me dessa felicidade e perder-me, de novo, entre os meus companheiros, os Malditos, e, veja só, me caíram tão bem. Eu os via brandos, brancos, eu os via tão transparente em suas dores que isso só me lembrava que rola isso de arma branca não ser ofensiva de um todo.
Sim, a doideira da arma branca, o machado eu nunca usei pra cortar nada se não a mim mesmo. Nunca usei o segundo nome da minha arma, o Branca, sempre usei só o prefixo, a parte armada mesmo, sempre curti a dor, sempre curti a miséria e nunca entendi como essa porra de Santo Anjo que eu rezava todo dia nunca tinha sido meu bom amiguinho.
Eu era bagunça atrás de bagunça, confusão vezes confusão: eu não era nada. Daddy was a troublemaker, baby boy. E daí ele chegou tarde, como quem não quer nada, bateu as asas várias vezes e a vida mudou de cor e de temperatura, o cenário perfeito pra uma virada. A virada não foi de álcool, minha menina, não foi de álcool. Papai toma doses controladas, que papai dirige e não pode bater.
Descontrole. Minha amiga, tenho muitas amigas, mas uma delas, falou que eu andava muito fundo, que meus olhos tavam fundos demais: você tem achado meus olhos fundos demais?
Você tem achado meus olhos fundos demais?
MeuAnjodaguardameubomamiguinhoguiai-mesemprepelobomcaminho.
O vejo numa tarde qualquer falando de amor e isso descontrói toda uma idéia inicial, ainda não sou muito de escrever plenitude. Não adianta tentar falar dele se a arte tem a dor como uma das melhores companheiras de chá. O cara, ele sim, transforma qualquer agonia & descontrole em calmaria & bonança. Repetidamente. He is my redemption. Somos salvações mútuas e contínuas, longe de tudo que reluz, somos ouro e platina.

3 sintomas:
bu
Ponto de vista é a vista de um ponto, quero dizer que sou descrente disso tudo.
E nao é com raiva de querer acreditar nao, é com olhos de quem nunca viu, só.
Tais reconhecível ali, mas é diferente, diferente bom, mais calmo..
Obrigado, amigo.
'Sim, minha pequena Mimi, papai aqui não queria ter que te ver chorar nesses olhos que carregam o paraíso, mas tem fascinação mundana por armas brancas.'
Adorei.
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