Você, que é broto manso, semente prematura, entende que eu sou bem direto desse jeito. Que eu penso tudo na cara, que eu sou levemente decifrável, e você me aparece assim. Eu nunca falo nada, você sabe que eu não sou de falar o que eu penso, sou bem caladinho, o calado dos calados, só falo merda em cima de merda. Porque falar o que eu sinto de verdade, ao nu do meu pensamento, é difícil pra cacete, só dá de pensar em prosa, de sentir em poesia. Porque você sabe que eu sinto um livro de poesias por você e me aparece assim, todo indireto e bordado em pontos pequenos.
Que eu sou grande. Você sabe, né, eu sou um enorme pra todo mundo, acho que você e só você me enxerga pequeninho, vê que essa minha gentileza para contigo mostra que tomei banho de orvalho gelado e procuro abrigo em ti. Sou um desabrigado. Um bêbado da vida, ando bem querido porque desaprendi a sentir no sofrimento puritano. Sabe, eu tô aqui estático, todo goiaba e falando horrores pra mim mesmo, falando coisas bem sem sentido, não tô tentando soar poético hoje, acordei bem mau da poesia, pra ser sincero nem sei se é mal ou se é mau que eu escreveria pra essa situação. Até nem me importo, hoje tô me importando com esses pensamentos que andam me circulando. Penso muito sobre você. A real bem das reais é que repetir palavras parece que dá mais intensidade, né, amor, parece que esse primeiro parágrafo foi só uma tentativa de eu parecer megacalmo, de eu parecer que sou um amor de pessoa, que eu não sou, a cidade inteira comenta. Eu nem ligo, e já falei isso antes, que cacete, já falei, isso. Isso, de eu nem ligar mais pra nada, porque hoje em dia eu me sinto são pra cacete, um bêbado são, já viu disso?
E daí vem a calmaria. Isso, que eu sou bem louco, né. Que eu falo bastante e daí passa. Que de vez em quando me dá umas doresnopeito daquelas bem fortes, bem apertadas, e daí passa, acho que isso é meio que sofrer por amor que nem gente normal né. Não aquilo, aquilo não. Aquilo. Não.
Aquilo doía que nem pedra. E daí hoje não dói nada, sabe, só aperta, agoniza um tiquinho, de vez em quando agoniza bastante, dói bastante.
É que essas ideias de que o tempo ajuda, o tempo sempre ajuda, let's fuck nicely with a clock, let it roll, é tudo bem verdade. Verdade verdadeira, brotinho. Acho legal falar broto, que parece que dá intimidade, acho que encontro nessas horinhas de pôr tudo pra fora um pouco de intimidade comigo mesmo, contigo. Eu meio que me encontro em ti.
Ontem chovia aqui na janela, os pingos baleavam o vidro, e os pensamentos vinham que nem tiros em mim e daí eu vim aqui. Pra te dizer que hoje também chove apesar do solzão de préverão em Floripa, hoje chove. Que falar isso meio que me lembra que eu já perdi a esperança pura, líquida. Agora é só uns respingos, uma chuvinha calma, que dá e passa, às vezes. Uma agradável garoa de você. Daqui a pouco passa e daí volta, até que sái o Sol. Que doía e fazia bem - isso, de garoar.

3 sintomas:
Se quisesse ser poético então..
é um lindo.
Eu gosto de perceber que tu tem fases de escrita. Essa fase calculada não se aproxima muito de ti mesmo. Daí eu sinto um pouco tua falta lendo. Eu te vejo, claro, mas não é a mesma coisa. Eu prefiro tua violência no sentir.
(L)
Pensa demais. Faça alguma coisa , menino gug :(
que bonito isso de uma agradável garoa de você. leio Caio em suas palavras, em meio a essa necessidade violenta de palavras palavras palavras (...)
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