Novembro 29, 2009

2. Cor-de-caju

Germano tentou, em vão, satisfazer-se com outros néctares. Tentou seiva. Clorofila. Nada jamais se compararia com a fragilidade da sua cajueira. Brindou taças e mais taças e quebrou todo o vidro nas próprias mãos: a dor o cabia naquele momento. Experimentou, ao fim do banquete, um líquido que jamais esperava pôr na boca; ele não gostava de podridão. Do leviano. Descobriu-se um deus ao provar do próprio sangue e descobrir que Virginia já fazia parte de si.

Novembro 23, 2009

1. Cor-de-caju

Os passos de Germano doíam na própria alma, agora. Encontravam-se, calados pelo farfalhar dos cajueiros, ele e ela. Estalados pela madrugada, e os olhos fundos que só. O cerne dos troncos parecia vivo, perto do martírio e morte que aconteceram no segundo que ela deu adeus. Nunca disse que voltava mas encaravam-se sem os olhos e apenas isso bastava. Virginia, por sua parte, estendeu-o a mão antes. Disse uma poesia ritmada nos ouvidos cansados de Germano e afastou-lhe os cabelos da face. Ela não sabia se era uma lágrima mas foi embora dançando com o vento, destoando-se em tons de cinza, ora amarelo.
deve ser de propósito: ando enchendo a minha caixa de mensagens pra tirar teu nome dali. você pode ter saudades, baby.. eu entendo a teoria mas na prática você só quer o que espera na tua porta, se é que me entende. sempre adorei brincar de amor conturbado mas com tanto fuck buddy por aí quem sabe eu deva mudar meus ares da igreja pro motel.

Novembro 18, 2009

o sol com cara de chuva remete a milhões de amantes. peguei-me hoje perdido em nostalgias, lembra da nossa história fosca e cheia de all you need is love? amo esse negócio de mesma história com atores diferentes, embora dê valor especial ao fato de eu ter mudado meu papel. o sol com chuva torrencial remete a milhões de amantes, sabia? eu nunca gostei muito de colorido.
contigo aprendi o infinitivo esperar. obrigado, baby, por resgatar em mim um pedaço esquecido nas minhas juntas enferrujadas. andei lembrando de quando via a lua derretendo em volúpia e seguia o mesmo caminho. andei lembrando que o tempo é uma vadia, cara; arrasta-se pelas paredes e te martiriza na cama, com um orgasmo bem bolado e um vazio no corpo.
costumava entender a flexibilidade da madrugada porém tornei-me parte dela de novo. tenho aguentado mais do que sempre. trilho passos de embriaguez pelas ruas, fusionado na noite e sem permitir um erro sequer nesse rascunho de pseudo foda. vamos nos proibir. contigo aprendi a importância do infinitivo esperar tal quanto o particípio do mesmo. eu ia esperar. eu tinha esperado.

Novembro 15, 2009

bom, na verdade, preciso de polidez pra respirar fundo sem parecer um suspiro. isso, baby, não é uma cobrança e quem dera eu tivesse cara limpa pra poder dizer qualquer coisa. ultimamente, calo-me e engulo os respingos do mar revolto. ultimamente eu também tenho sentido fome e pondo limites nessa voracidade que, vez ou outra, invade minha cabeça. ela gira três vezes e volta a ajustar. porque eu, que nunca fora o mais indicado pra um let's talk about trust andei me mostrando numa face diferente de todas as outras. e vocês, bonitas caravelas, abandonaram-me e me deixaram com o violão desafinado na praia; a única condição para a morte desse corpo polido seria se me dissessem que você estava do outro lado da mesma praia que eu e não pude enxergar. respirar de baixo d'água é mais difícil quando rola tempestade.

Novembro 12, 2009

Fratello

amigo, foram só 4 dias que eu fiquei longe de você, e, cara, eu não imagino a gravidade que 6 meses farão comigo. me desculpa se eu chorar e se doer mais que jamais doeu tudo aqui dentro quando eu te ver ir embora por essa porta; direi para ires implorando para que voltes, meu querido. por entre essas semanas que vem arrastando-se por nossas vidas e por nosso teto, dia desses parei e percebi que essa insegurança, que é tão minha, tem parte da culpa em você e temo que um país estrangeiro tire o meu chão mais forte. tenho medo de cair sem você, amigo. tenho, em demasia, fraqueza rondando minhas canelas a todo segundo. elas ficam bambas. frágeis. e as fotos, meu rapaz? limitarei-me a encará-las e sorrir um sorriso fundo. um sorriso que nunca foi de aguentar muito. tendo você não comigo, o muito multiplica-se em infinitas vezes. faz um mês e poucos dias, você mesmo disse que eu já não sou mais um pequenino. faz dois meses e poucos dias que eu sentia o teu colo abrigando tudo em mim, apenas ouvindo o fechar da noite o pingar das gotas no sofá. tem dois violões aqui. as cordas deles vão arranhar. se não existe uma dupla infalível creio que a única música que ouvirei será Sabiá, meu amigo. poxa, a minha madrugada não vai ser completa sem a tua fala. sem o teu boa-noite e sem as tuas notas. dramatismos talvez sempre tenham sido minha especialidade. comecei o relato feliz e agora caí em lágrimas de novo, meu irmão.

Novembro 09, 2009

viajo milhas no seu olhar; tem cor de milhões de prismas diferentes. eles refletem todo o tipo de luz, eles apagam todo o tipo de luz. eles são a luz por si mesmos e eles brilham na imensidão de raios que chocam-se, curiosos, contra a ambiguidade verde dos teus olhos. há dias em que poupo-me da solidão, pondo meu corpo ao ar e respirando a poeira da rua. aspirando a poeira das estradas, das milhas de distância que, agora, parecem tão ramificadas em milhões, trilhões de prismas diferentes. ao começo, quando ainda era utopia qualquer pensamento de um você perto de um eu, chovia. dava sol. gostaria de entender desde quando um arco de cores nasceu aqui no terraço, causando dívidas de ouro falso com o final duvidoso de tesouro. ultimamente, baby, sento o mais alto que puder e sinto quase que um corte no coração quando penso que de todos esses milhões de prismas diferentes, a ambiguidade verde dos teus olhos encontra-se longe de mim. causa-me espasmos e estalos e agonia e sensações que eu jamais sentira antes. ao seu lado, amor, é quando os meus sentidos começam a, puramente, fazer sentido. o tato já não enfraquece. sinto-me fazendo sentido ao seu lado por mim mesmo; e, assim, incendiando em fogo vivo todo aquele quarto, quando durmo e quase rio de lembrar na felicidade de você me chamando de meu.